
Algumas mudanças a gente gostaria que nunca acontecessem na nossa vida. Na última semana fiz coisas que nunca havia feito antes, que eu não gostaria de ter feito, mas que faria tudo de novo, porque não fiz nada além daquilo que teria sido feito por mim!
Numa sexta-feira, daquelas que a gente já tem planejado todo o final de semana e que tinha tudo para ser tranqüila, recebi a notícia: minha avó de 84 anos havia sofrido um AVC (Acidente Vascular Cerebral), popularmente conhecido como derrame.
Há cinco dias (no Dia das Mães) ela estava me servindo o manjar com calda de goiabada feito especialmente para mim, andando ao meu lado até chegar no carro, lembrando dos momentos engraçados e planejando o próximo encontro. Mal eu sabia que esse encontro seria na unidade de tratamento intenso (UTI) num hospital, numa ocasião na qual ela não me reconheceria de pronto, só depois de prestar mais atenção a minha voz já que não conseguia abrir os olhos, por causa da forte medicação a que estava submetida. Eu só conseguia pensar: como a vida é frágil!
Mas a vontade de viver é tão grande que ela saiu dessa, mas não sem mudanças....essa era a mudança que ela pedia a Deus que nunca acontecesse: ficar numa cama dependendo da ajuda das pessoas para praticamente tudo. Mas para mim, tudo tem seu lado positivo, essas pessoas não são quaisquer pessoas, são seres que não existiram ou não estariam ali se ela não existisse, são pessoas que a amam tanto que agradecem a oportunidade de estar ao seu lado mais um pouquinho nessa terra.
Dentre essas pessoas, há uma fundamental: minha mãe! Claro, todos podem pensar....nem tão claro assim: minha mãe é a nora e não a filha! Nora que, de tão preocupada teve uma inflamação nos ovários com grande risco de hemorragia. Resultado: minha avó e minha mãe internadas e, que piada do destino, em quartos de frente um para o outro. Susto superado e com as duas fora de perigo!
Apesar de tudo eu acredito profundamente que nada é por acaso, tudo tem um propósito e tento ver o lado bom apesar de estar sentindo uma tristeza no peito nesse momento por não poder estar ao lado delas o tempo todo já que moramos em cidades distantes.
Uma vez ouvi dizer que quando nossa vida está normal demais devemos ficar preocupados porque algo pode acontecer, algo não necessariamente ruim, mas algo que vai nos tirar da zona de conforto! Diante de tudo isso, fico pensando em como não temos praticamente nenhum controle sobre a nossa vida: um dia estou aqui, escrevendo no meu blog, pensando que amanhã tenho que ir à feira e depois de amanhã tenho uma entrevista marcada. Mas quem sabe se eu farei tudo isso?
As coisas nem sempre são como a gente quer e, no início isso nos revolta, nos faz pensar que a vida é injusta com os que parecem ser justos. Eu temia que essa fosse a reação da minha querida avó, mas mais uma vez ela me surpreendeu dizendo ter certeza de que Deus a ajudará a superar essa situação. E, é com essa certeza, de que para Ele nada é impossível e de que Ele nunca nos abandona que temos que seguir nossas vidas.